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Cidade terá água mineral

Ibiporã vai extrair água profunda do Aqüífero Guarani

A idéia é desafiadora, e mais: água no município é barata, todas as residências possuem água tratada e o esgoto é 100% tratado

No momento em que o mundo discute a questão dos problemas de escassez de água a cidade de Ibiporã, no Norte do Paraná, onde o serviço de água sempre foi municipal, se consolida como cidade que possui grande oferta deste produto essencial à vida.

Em outubro de 2007 a direção do SAMAE (Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto) começou a construção dos 4.300 metros lineares de tubos, que são de ferro fundido e de 500 milímetros de diâmetro e irão interligar os dois poços que captarão água do Aqüífero Guarani que irão garantir o abastecimento da cidade por tempo ilimitado, e a central de distribuição do SAMAE. Além do grande volume – que chega a 1.155 metros cúbicos por hora – a água fornecida é de excelente qualidade, necessitando apenas de resfriamento e cloração preventiva. O início do fornecimento dessa água mineral à população deve se dar em meados deste ano (2008).

O diretor do SAMAE, Elcio Jose Keller, explicou que a perfuração dos poços foi feita através de um convênio entre o município a SUDERHSA (Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental do Paraná) e o governo federal, tendo o município, através do SAMAE, uma contrapartida de 25%. Na realidade o convênio previa a perfuração dos dois poços com cerca de 1.100m a 1.200m de profundidade cada um.

“Fomos surpreendidos porque no primeiro poço a água jorrou com apenas 498 metros, com uma vazão de 365 metros cúbicos por hora. Já no segundo poço, a água jorrou com 583 metros de profundidade, apresentando uma vazão de 790 metros cúbicos. Com isso conseguimos os dois poços pelo preço de um, com o valor do investimento caindo pela metade”, afirmou.

Outro detalhe revelado pelo diretor do SAMAE é que com apenas um dos poços será possível abastecer toda a cidade de Ibiporã (47 mil habitantes), que hoje conta com uma captação, feita no Ribeirão Jacutinga, de 620 metros cúbicos de água por hora. Esse volume é suficiente para atender as 13.800 ligações de água do município.

Com a garantia de abastecimento com uma água que é considerada mineral pelas análises realizadas pela Universidade Federal do Paraná e pelo TECPAR, o sistema municipal de água vai se tornar irreversível em Ibiporã. Keller lembra que o SAMAE é considerado hoje como modelo de autarquia de abastecimento de água no Brasil, tendo inclusive conquistado o prêmio do PNQS Nível 1, concedido pela Abes e tendo sido classificado como uma das 20 melhores experiências de gestão no Brasil.

Hoje, Ibiporã conta com o índice de 100% de água tratada e 98% da cidade servida com rede de esgoto e 100% do esgoto coletado é tratado. “O SAMAE é o exemplo de que o serviço de água administrado pelo município está dando certo e apresentando resultados importantes”, afirma o prefeito Beto Baccarim.

Comprometimento considerado

O trabalho para a inclusão de Ibiporã no projeto de pesquisa do Aquífero Guarani, pela SUDERHSA, começou em 1999 e um dos responsáveis foi o vice-prefeito na época e hoje atual prefeito e engenheiro químico, Beto Baccarim.

Ele conta que como funcionário de carreira do IAP (Instituto Ambiental do Paraná), tomou conhecimento da realização do projeto de pesquisa do aqüífero e procurou trabalhar para a inclusão do município.

Baccarim explicou que a questão ambiental, com a possibilidade do comprometimento do abastecimento no futuro, foi levada em consideração na hora de convencer as autoridades municipais, da importância da perfuração dos poços. Atualmente, a captação de água que abastece Ibiporã é feita através do Rio Jacutinga. O rio, que nasce no município de Cambé a 25 quilometros, passa por Londrina até chegar a Ibiporã e desaguar no Rio Tibagi.

Por percorrer uma região de grande densidade populacional, o risco de poluição da água aumenta muito mais, além de passar pela região dos Cinco Conjuntos, em Londrina, existem ainda outros aspectos que são a conclusão do contorno da cidade, que vai passar sobre o Jacutinga, além dos futuros oleoduto e gasoduto, que também passarão pela região. “O rio vai ficar numa posição crítica, correndo sérios riscos de acidentes ambientais. Por isso ponderei que Ibiporã precisaria de uma alternativa de abastecimento”, esclareceu.

Com a nova realidade trazida com a perfuração dos poços, o município poderá conseguir muitos benefícios no aspecto econômico, com o desenvolvimento de novas atividades. Baccarim entende que, em função do potencial hídrico obtido, o município está em condições de atrair novos investimentos, “Nós vamos manter um dos poços fechado e com isso teremos condições de atrair indústrias, garantindo o abastecimento e da mesma forma podemos estimular o desenvolvimento do turismo com a implantação de estâncias hidrominerais, SPAs e casas de repouso. Podemos até vender a água excedente se houver interessados”, diz o prefeito.

Na avaliação de técnicos da empresa que realizou a perfuração do poços, Ibiporã foi beneficiada com uma falha geológica no subsolo, fazendo com que água do aqüífero possa ser atingida a uma profundidade média de 600 metros. Este aspecto é muito importante porque reduz os custos na hora de perfurar novos poços, favorecendo o interesse pelo município.